Debater Lisboa
Colina de Santana
Lisboetas contestam fecho de hospitais no centro da cidade
1ª sessão de debate
11-12-2013 com INÊS BANHA, AML com DN

"O que é que preciso fazer para os edifícios não se degradarem? A resposta é muito simples: manter o seu funcionamento normal."
As palavras, proferidas por António Brotas durante o período de intervenção do público na 1ª sessão de debate sobre o futuro da Colina de Santana, mereceram uma salva de palmas e poderiam resumir a posição de quem ontem se deslocou até à Assembleia Municipal para conhecer o projecto que promete mudar a face da única colina da capital que não confina com o rio Tejo.

O pretexto para o anunciado encerramento dos hospitais que ali funcionam é a construção, na zona oriental da cidade e até 2017, do novo Hospital de Todos-os-Santos, mas poucos percebem a razão da transferência de instalações.

Hospitais de São José, de Santo António dos Capuchos e de Santa Marta. São estes os equipamentos de saúde ainda em funcionamento, a que se junto os entretanto desactivados Miguel Bombarda e do Desterro, que terão como destino traçado a reconversão em prédios de habitação ou hotéis, mas nem por isso faltou quem, ontem, partilhasse as suas dúvidas quanto ao que está na base da intervenção: a agregação de todos os serviços hospitalares num novo complexo, programado há mais de dez anos.

Da qualidade do serviço prestado ao facto de estarem inseridos numa área da cidade com população muito envelhecida, passando pela pertinência de, em época de dificuldades financeiras, investir num imóvel que consideram desnecessário foram vários as razões invocadas pelos cidadãos, sem que o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo ficasse convencido.

"Não vi argumentos substantivos", frisou, na resposta global às intervenções, Luís Cunha Ribeiro, acrescentando que, "como potencial doente", não quer "ir para uma enfermaria" como a que descrevera momentos antes - um espaço com 16 camas, "pé-direito de oito metros e meios que não se consegue aquecer", com "fendas", "água a cair do tecto" e sem casa de banho.

Além disso, salientou depois Manuel Salgado, vereador do Urbanismo na Câmara Municipal de Lisboa, os edifícios principais daqueles complexos - na sua maioria antigos conventos - vão ser cedidos pela empresa proprietária (Estamo) à autarquia, para que sejam criados "equipamentos de proximidade".

O tema deverá ser aprofundado a 14 de Janeiro, altura em que a AML analisa, no âmbito do mesmo ciclo de debates que ontem se iniciou sobre a Colina de Santana, o "impacto das propostas no acesso da população a cuidados de saúde". Em Fevereiro, o parlamento da cidade espera ter recomendações concretas para apresentar à câmara.

PROCESSO

Requalificação debatida até Fevereiro

Os Pedidos de Informação Prévia das operações a realizar nos hospitais Miguel Bombarda, de São José, de Santa Marta e de Santo António dos Capuchos tinham estado em discussão pública, mas o processo acabou por ser suspenso.

O parlamento da cidade debate agora, até Fevereiro, um projecto mais alargado para a Colina de Santana. A câmara reabrirá depois, após a análise dos contributos, um novo período de discussão pública dos primeiros documentos.

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