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Debater Lisboa - Casa da Cidadania
"Desejável" unidade de cuidados continuados na Colina de Santana
artigo DN
28-01-2014 INÊS BANHA , DN

População envelhecida justifica necessidade. Projecto de requalificação de toda a área continua hoje a ser debatido na assembleia municipal. Faltam camas/lugares em toda à cidade

A instalação de uma unidade de cuidados continuados integrados na Colina de Santana, em Lisboa, é considerada "desejável" e "exequível" face à existência, "na área mais central e histórica da cidade", de uma "população bastante envelhecida e a viver isoladamente". A proposta é da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e baseia-se no Projecto Urbano daquela área, que promete mudar a face da área delimitada pelas avenidas Almirante Reis e da liberdade. O documento continua hoje a ser debatido na assembleia municipal, numa sessão, às 18h00, sobre o impacte "no acesso da população a cuidados de saúde" em que a implementação de uma Rede de Cuidados Continuados Integrados de Lisboa deverá ser um dos temas em cima da mesa.

São 15 as localizações que, de acordo com um memorando que hoje será tomado público, foram já identificadas para a instalação de equipamentos de prestação de cuidados de saúde e de apoio social de forma continuada e integrada a pessoas em situação de dependência e com perda de autonomia. Só que, ressalva a autarquia num outro documento sobre o futuro da Colina de Santana, "constata-se não existirem propostas (...) na área mais central e histórica da cidade, onde se reconhece existir uma população bastante envelhecida e a viver isoladamente".

"Face a este contexto urbanístico, seria desejável existir, nesta área da cidade, um equipamento colectivo com esta valência, readaptando-se para o efeito instalações ou espaços já existentes", continua a CML, que sugere o "reaproveitamento de algumas das instalações do Desterro". O antigo hospital está actualmente a ser reabilitado, estando prevista a sua reconversão num espaço em que vai ser possível habitar, trabalhar temporariamente numa cela, cultivar hortas ou frequentar sessões de medicina alternativa. A unidade de saúde é uma das cinco da Colina de Santana que vai ser requalificada, a par dos hospitais Miguel Bombarda, Santo António dos Capuchos, São José e Santa Marta. Estes três últimos deverão manter-se em funcionamento até 2017. Ainda assim, salvaguarda a autarquia no Documento Estratégico, a criação de uma unidade de cuidados continuados com pelo menos dois mil metros quadrados entre as avenidas Almirante Reis e da Liberdade "pode e deve ser encarada (...) como uma solução exequível, mais racionalista em termos financeiros e acima de tudo mais próxima da sua população alvo (target idoso), contribuindo, positivamente, para que esta não se afaste do seu meio familiar".

Carência de camas por suprir

Certo é que, lê-se no memorando, "em 2013, a apenas três anos da meta estabelecida (em 2009) de 2016 para a satisfação total de carências", estão em curso somente dois processos (Rego e Carnide/Luz) dos quatro identificados como "passíveis de concretização imediata". No Alto do Lumiar, o promotor desistiu do projecto, enquanto em Algés não houve até à data "interessados na contratualização" do terreno disponível. A estimativa é de que, ao todo, se verifique em 2016 uma carência de 1216 camas/lugares para 1252 necessários. Na prática, prevê-se que existam em toda a cidade 36 camas/lugares - em 2011 havia 56.

AGENDA

HOJE

O deputado municipal João Magalhães Pereira modera, a partir das 18h00, o debate sobre o impacte do projecto "no acesso da população a cuidados de saúde". O painel é composto por cinco representantes de entidades do sector, incluindo ministério e sindicatos.

4 DE FEVEREIRO

O Impacte "urbanístico, social e habitacional das propostas" para a Colina de Santana é o tema da terceira sessão, moderada pelo presidente da Comissão Permanente do Ordenamento do Território, Urbanismo, Reabilitação Urbana, Habitação e Desenvolvimento Local.

11 DE FEVEREIRO

É a última reunião subordinada a um tema. Numa sessão moderada pela presidente da Comissão Permanente de Cultura, Educação, Juventude e Desporto, a assembleia municipal debate o impacte da proposta "na memória e identidade histórica da Colina de Santana".

11 DE MARÇO

Depois de quatro debates sobre o futuro da colina situada entre a Avenida da Liberdade e a Avenida Almirante Reis -o primeiro foi a 10 de Dezembro -, o parlamento da cidade elabora as propostas a submeter à própria assembleia. A data carece ainda de confirmação.

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