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Profissionais de saúde com dúvidas sobre Hospital de Todos-os-Santos e fecho de unidades
Colina de Santana
28-01-2014 SYP // ROC, LUSA

Profissionais de saúde apresentaram hoje, num debate na Assembleia Municipal de Lisboa sobre o futuro da Colina de Santana, dúvidas quanto aos efeitos do encerramento de hospitais da capital e a abertura do novo hospital de Todos-os-Santos.

Em discussão durante quase três horas, pela segunda vez, esteve a construção do novo hospital de Todos-os-Santos e o encerramento de hospitais de Lisboa, mais do que Projeto Urbano da Colina de Santana, que prevê a conversão dos quatro hospitais da Colina de Santana (Miguel Bombarda, Capuchos, Santa Marta e São José) em espaços com valências hoteleiras, de habitação, comércio, estacionamento e lazer.

No segundo debate promovido pela assembleia municipal para debater este projeto estiveram presentes diretores de instituições de ensino de saúde, profissionais de saúde, representantes dos trabalhadores e deputados municipais.

A dirigente da Federação Nacional dos Médicos Pilar Vicente apontou que há uma grande parte da população lisboeta, mais envelhecida e com baixo poder económico, que necessita de hospitais próximos e que “não tem dinheiro, nem transportes, nem acessos – porque não os há” - para se deslocar ao novo hospital de Todos-os-Santos, que vai ser construído na zona oriental de Lisboa.

Por sua vez, o presidente da Secção Regional Sul da Ordem dos Médicos, Jaime Mendes, criticou o fecho destes hospitais, “cujo único objetivo é a diminuição da despesa numa visão meramente economicista”, e alertou para as consequências para as populações.

“A população já assistiu ao encerramento dos hospitais de Arroios, do Desterro, da Maternidade Alfredo da Costa, do Miguel Bombarda e do Curry Cabral – são apetitosos espaços citadinos”, disse.

Da parte do público, médicos e enfermeiros criticaram as “decisões unilaterais” de governantes, questionaram a previsão da redução de custos e pediram “que o assunto seja reavaliado”.

Já deputados municipais do PS pediram um compromisso por parte do Governo para que “o fecho dos hospitais civis fique dependente da abertura do Hospital de Todos-os-Santos”.

Em debate esteve ainda a falta do número de camas para cuidados continuados na cidade, de estudos ou a proximidade do novo hospital ao Parque da Belavista, onde decorre o festival de música Rock in Rio.

Em representação do Ministério da Saúde esteve presente o coordenador do grupo técnico para a reforma hospitalar, Jorge Penedo, que recordou que para estes hospitais civis são gastos anualmente cerca de 10 milhões de euros (quatro em manutenção e seis em rendas, uma vez que os terrenos já foram vendidos à ESTAMO).

“Temos de garantir cuidados de saúde de proximidade. Não é por haver cinco hospitais que a população terá mais cuidados”, disse Jorge Penedo na sua intervenção inicial.

Na resposta às intervenções do público, o representante do Ministério da Saúde defendeu a “melhoria dos cuidados” em Lisboa e descreveu problemas nos hospitais da cidade.

“Há doentes transferidos entre edifícios dos hospitais, que andam 50 metros de ambulância, porque não há condições para transferência entre edifícios. É isto que existe hoje em dia”, indicou, criticando ainda o estado das canalizações e do sistema elétrico dos hospitais.

Jorge Penedo afirmou ainda que o património arquitetónico e histórico dos hospitais será mantido “com outros usufrutos” e considerou que “enquanto não houver hospital Oriente não vai haver transportes”.

Segundo uma notícia da TSF, o Governo decidiu retomar o projeto do Hospital de Todos-os-Santos, que estava suspenso para avaliação. O novo Hospital, cuja abertura foi anunciada para 2017, substitui as unidades que fecharam e que vão fechar na cidade, como os hospitais de São José, Capuchos, Santa Marta, Curry Cabral, Dona Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa.

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