Debater Lisboa
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Economia da saúde ganha 16 hectares no centro de Lisboa
diz Projecto Urbano da Colina de Santana
29-01-2014 DN

Criar espaços para empresas, aproveitar o potencial turístico, com a hipótese de instalar na zona unidades hoteleiras, incluindo áreas para estudantes e investigadores, são alguns dos projectos para a colina.
Pode consultar AQUI o Projecto Urbano da Colina de Santana

A deslocalização para a zona oriental de Lisboa dos hospitais que há décadas funcionam na Colina de Santana vai gerar "novas oportunidades" para o sector da economia da saúde no centro da cidade. Esta é a convicção da câmara municipal (CML) que, segundo o Documento Estratégico de Intervenção naquela área, acredita que o segredo poderá estar numa combinação de três factores: o conhecimento e a investigação, devido à presença de instituições como a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Nova de Lisboa; o empreendedorismo, através da criação de espaços de incubação e aceleração de empresas; e o potencial turístico da zona, fruto da sua "pré-apetência para a instalação de unidades hoteleiras".

É um projecto abrangente aquele que, a partir de 2017, promete mudar a face da colina delimitada pelas avenidas Almirante Reis e da Liberdade. A data é a prevista para a transferência para o novo Hospital de Todos-os-Santos - que deverá nascer em Cheias - dos hospitais Miguel Bombarda, do Desterro, de Santa Marta, de São José e de Santo António dos Capuchos - estes três últimos ainda em funcionamento -, numa operação que tem sido contestada por profissionais de saúde e residentes na zona.

Ainda assim, para a autarquia - que se baseia no estudo urbano coordenado pela arquitecta Inês Lobo - a libertação de cerca de 16 hectares "deixará espaço" para a "regeneração urbana" da Colina de Santana, que se poderá afirmar na capital enquanto cluster de saúde. A ideia é que "através da promoção de espaços de incubação ou (...) de aceleração de empresas" seja possível criar um "importante centro" de entidades ligadas à área, beneficiando para tal da localização do território de instituições de investigação como a FCM, a Universidade Autónoma de Lisboa ou o Instituto de Oftalmologia Doutor Gama Pinto. A esperança é que o processo seja facilitado pelo "recente compromisso" para a transformação do antigo Hospital do Desterro num local onde vai ser possível trabalhar numa cela, cultivar hortas ou frequentar sessões de medicina alternativa.

Igualmente importante será o potencial turístico da zona, devido à sua"pré-apetência para a instalação de unidades hoteleiras", capaz de contribuir para a "promoção de unidades vocacionadas para o turismo de saúde e da economia do conhecimento, criando condições para a implementação de unidades vocacionadas para o alojamento universitário (estudantes e investigadores)".

Excluída parece estar para a CML a hipótese de a deslocalização de cinco hospitais afectar "de forma significativa" o pequeno comércio e a restauração que existe na Colina de Santana, visto que os próprios equipamentos de saúde detêm espaços de restauração próprios, sendo os restantes frequentados por utentes de toda a cidade. Alem disso, conclui-se, haverá novos serviços a substituir os que saem.

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