Debater Lisboa
Sessão temática da assembleia municipal contou com a presença de 297 pessoas
Sessão temática da assembleia municipal contou com a presença de 297 pessoas
Colina de Santana
Críticas ao fim dos hospitais na Colina de Santana persistem
2ª sessão de debate
29-01-2014 Inês Banha , DN

À segunda sessão na assembleia municipal, utentes e profissionais de saúde voltaram a criticar opção. Defensores argumentam que qualidade dos cuidados prestados vai melhorar.

Afinal, por que razão têm de fechar os hospitais da Colina de Santana, no centro de Lisboa, devido à abertura na zona oriental da cidade do Hospital de Todos-os-Santos? A pergunta voltou ontem a marcar, à semelhança do que acontecera na primeira sessão, o debate na Assembleia Municipal sobre o futuro daquela zona após o encerramento das unidades de saúde, com os opositores ao projecto a invocar o risco da falta de proximidade e os defensores a contrapor com a necessidade de melhorar a qualidade dos cuidados prestados.

"Toda a população da Mouraria se desloca ao Hospital de São José porque quando chegam ao fim de semana não há centros de saúde abertos. São 20 euros, várias horas de espera, mas por vezes compensa", argumentou Nuno Franco, residente num bairro que integra parte da única das sete colinas de Lisboa que não confina com o rio Tejo. A unidade hospitalar corre o risco de a partir de 2017, e tal como as de Santa Marta e de Santo António dos Capuchos, fechar portas, seguindo o mesmo caminho das dos Desterro e Miguel Bombarda. "Quais são as condições em que vivem hoje os doentes que ali estavam?", inquiriu, durante o período de participação do público, Fátima Ferreira Duarte, médica naquele hospital psiquiátrico até ao seu encerramento, em 2011. A questão ficou sem resposta, ao contrário da crítica proferida por vários intervenientes de que não há transportes públicos para chegar do centro de Lisboa a Chelas, local da nova unidade de saúde que ainda não saiu do papel.

"Ninguém está à espera de que existam acessibilidades para chegar a algo que não está lá", frisou o coordenador do grupo técnico para a reforma hospitalar presente no painel de oradores em representação do Ministério da Saúde. Jorge Penedo contestou a ideia de que os edifícios em questão tenham boas condições.

A desempenhar funções nos Capuchos e nas urgências do São José, o cirurgião assegurou que há doentes que são transferidos para o Hospital Curry Cabral "horas depois" de serem operados e outros que são transportados de ambulância "entre edifícios" do mesmo complexo ou com os maqueiros a ser obrigados a abrir o guarda-chuva. "Não devemos confundir a qualidade da prestação de cuidados com o local", sintetizou.

Por esclarecer ficaram as dúvidas quanto aos benefícios financeiros da acção, com Penedo a indicar que só em rendas à Estamo uma empresa estatal - são gastos quase seis milhões de euros pelos três espaços ainda abertos, mas já com projectos aprovados. "Não se está a falar de saúde mas de negócio", defendeu uma participante.

AGENDA

4 DE FEVEREIRO

Na terceira sessão sobre o futuro da Colina de Santana, a Assembleia Municipal debate o impacto "urbanístico, social e habitacional das propostas. É na Avenida de Roma, nº 14, a partir das 18.00.

11 DE FEVEREIRO

A memória e identidade histórica da Colina de Santana é o último tema a ser discutido pelo parlamento da cidade. A sessão é mais uma vez às 18.00, novamente no Fórum Lisboa. O público pode participar.

11 DE MARÇO

A data ainda não está confirmada mas está já definido que a Assembleia Municipal irá enriquecer o debate com propostas que deverão ser uma síntese dos quatro debates sobre a Colina de Santana que ali decorreram.

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