Debater Lisboa
José Sarmento de Matos, Olisipógrafo
José Sarmento de Matos, Olisipógrafo
António Rendas, reitor da Universidade Nova de Lisboa
António Rendas, reitor da Universidade Nova de Lisboa
Raquel Henriques da Silva, Professora Associada da Universidade Nova
Raquel Henriques da Silva, Professora Associada da Universidade Nova
Professor José Aguiar, da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa
Professor José Aguiar, da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa
Vítor Freire, Presidente da Associação Portuguesa de Arte Ousider
Vítor Freire, Presidente da Associação Portuguesa de Arte Ousider
Colina de Santana
Historiadores alertam para a necessidade de preservar património na Colina de Santana
11-02-2014 FYS // HB, LUSA

Historiadores e museólogos defenderam hoje, num debate na Assembleia Municipal de Lisboa sobre o futuro da Colina de Santana, a necessidade de preservação do espólio museológico existente em alguns dos hospitais que estão a ser desativados.

Em discussão durante quase três horas, pela quarta vez, esteve o projeto urbano da Colina de Santana, que prevê a conversão dos quatro hospitais daquela zona da capital (Miguel Bombarda, Capuchos, Santa Marta e São José) em espaços com valências hoteleiras, de habitação, comércio, estacionamento e lazer.

Os hospitais da zona da Colina de Santana estão a ser desativados na sequência da abertura do futuro Hospital de Todos-os-Santos, previsto para a zona de Chelas.

Na quarta sessão do debate promovido pela Assembleia Municipal de Lisboa, para debater este projeto, estiveram presentes historiadores e museólogos que falaram sobre o “impacto das propostas na memória e identidade histórica da Colina”.

A professora universitária Raquel Henriques da Silva, que leciona História de Arte na Universidade Nova de Lisboa, mostrou durante a sua intervenção o exemplo de vários espólios que se encontram em alguns dos hospitais civis que estão a ser desativados.

“É impossível que as coleções não sejam tratadas ou preservadas. O núcleo museológico que se encontra em hospitais como o de São José ou Miguel Bombarda é riquíssimo”, afirmou.

A mesma ideia foi apontada pelo Olisipógrafo e mestre em História de Arte José Sarmento de Matos, que sublinhou o facto da Colina de Santana ser uma das zonas da capital mais ricas em termos patrimoniais.

“O património existente na Colina de Santa não se limita ao espólio existente nos hospitais civis. Existem outros edifícios históricos como palácios ou casas nobres”, ressalvou.

Mais crítico do projeto da Colina de Santana foi o historiador e economista Vítor Albuquerque Freire, que se queixou de não terem sido efetuados os estudos necessários e recusou a ideia de os antigos hospitais virem a ser convertidos em hotéis ou em projetos de loteamento.

“Seria uma atitude indigna. O impacto sobre a colina seria desastroso e seria mesmo um atentado. Esta deve ser uma oportunidade não para mais betão, mas sim para incentivar a cultura”, defendeu.

No período reservado à intervenção do público, as opiniões relativas ao projeto urbano da Colina de Santana foram mais de reserva do que de otimismo.

O médico Luís Damas Mora referiu que tudo aquilo que vier a ser feito terá de “respeitar o passado” e defendeu a manutenção de um polo de saúde naquela zona da cidade.

Já a engenheira Helena Ferreira reiterou que naquela zona da cidade existe o património histórico ligado à saúde mais importante do país e defendeu a realização de um referendo local para ouvir os moradores.

A última sessão de debates realiza-se no dia 11 de Março onde serão apresentadas as conclusões e as propostas a submeter à Assembleia Municipal.

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