Debater Lisboa
Fotografia © Ângelo Lucas / Global Imagens
Fotografia © Ângelo Lucas / Global Imagens
Colina de Santana
Necessidade de preservar memória gera consenso
4ª sessão do debate - 11 Fevereiro 2014
12-02-2014 Inês Banha, DN

Hospital de São José é visto como a melhor hipótese para albergar núcleo museológico sobre saúde. Demolição de construções não classificadas criticada

"Queremos todos preservar a memória da Colina de Santana. Como, vamos trabalhar." Foi com estas palavras que, ao início da noite de ontem, Simonetta Luz Afonso deu por terminada a última de quatro sessões temáticas na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) sobre o futuro daquele território, numa reunião que ficou marcada, ao contrário do que tem sido habitual, pelo consenso entre os intervenientes na discussão. Em causa está a necessidade de manter viva a história dos hospitais ali existentes - os já desactivados Miguel Bombarda e do Desterro e os ainda em funcionamento São José, Santa Marta e Santo António dos Capuchos.

O mote foi lançado no início do debate sobre o impacte das propostas "na memória e identidade histórica da Colina de Santana" por Raquel Henriques da Silva, historiadora e um dos membros do painel de oradores. "É impossível que na Colina de Santana as memórias saúde não permaneçam e que as colecções existem nos hospitais não sejam resgatadas, tratadas e estruturadas", frisou, lembrando que foram vários os núcleos do género que já ali foram instalados.

Um deles - o Museu dos Hospitais Civis de Lisboa - funcionou em Santa Marta entre 1957 e 1974, outro a partir de 1977 em Santo António dos Capuchos, mas, a avaliar pelo debate de ontem, hoje parece ser São José a localização que reúne mais apoiantes, "independentemente" de este vir a deixar, ou não, de ter uma função hospitalar. O espaço poderia, de resto, integrar uma rede cultural que incluísse também os restantes equipamentos de saúde da Colina de Santana.

Até porque, salientou o olisipógrafo José Sarmento de Matos e também membro da mesa, a memória histórica do território delimitado pelas avenidas Almirante Reis e da Liberdade não se resume àqueles edifícios. Exemplo disso é uma "casa nobre apalaçada", datada de 1764, na Calçada de Santana, o palácio que em tempos pertenceu ao Patriarcado de Lisboa ou o Bairro do Andaluz, construído no século XVI. Não é, por isso, de estranhar que a criação de "rotas turísticas" tenha sido uma das hipóteses referidas pelo público e que consta, de resto, do Documento Estratégico de Intervenção na área.

O estudo é da autoria da Câmara Municipal de Lisboa, mas baseia-se no Projecto Urbano coordenado pela arquiteta Inês Lobo, que inclui os projecto de reconversão dos hospitais Miguel Bombarda, São José, Santa Marta e Santo António dos Capuchos ou em hotéis ou prédios de habitação - uma opção que ontem foi alvo de críticas, por, entre outros aspectos, prever a demolição de todos os imóveis que não sejam classificados.

"Cerca de metade das construções não é conventual", assegurou Vítor Freire, outros dos oradores presidente da Associação Portuguesa de Arte Outsider, que expõe, nomeadamente, no Miguel Bombarda. O recinto é um dos que, se a proposta em cima da mesa se concretizar, vão perder um dos seus edifícios mais característicos - a enfermaria em forma de poste telefónico.

A 11 de Março, a AML deverá debater as conclusões das quatro sessões temáticas.

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