Debater Lisboa
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Debater Lisboa - os transportes em Lisboa
A Carris e o metro não são de Lisboa”, lembra o presidente da Autoridade de Transportes
1ª sessão de debate
21-05-2014 Inês Boaventura, Público

Na que foi a primeira de quatro sessões do debate temático sobre transportes promovido pela Assembleia Municipal de Lisboa, as críticas ao serviço prestado pelos operadores de
transportes que servem a Área Metropolitana de Lisboa foi praticamente consensual.
Pode assistir à gravação integral da sessão AQUI

O presidente do conselho executivo da Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa (AMTL) lembrou esta terça-feira que a Carris e o metro não são de Lisboa, são da região , sublinhando que é preciso ter isso em conta quando se discute a possibilidade de o município liderado por António Costa assumir a gestão destas empresas. Germano Martins afirmou ainda que, a concretizar-se essa hipótese, ela teria de ser encarada como uma medida transitória.

Isto porque, explicou o presidente da AMTL, a legislação comunitária impõe, a partir de 2019, a obrigatoriedade da contratualização do serviço público de transporte. Segundo Germano Martins, nessa altura passará a ter de haver processos concursais, dirigidos por uma autoridade regional e não pelo Governo , para a escolha da entidade com quem serão celebrados os contratos. E essa autoridade, acrescentou, existe, e é a Autoridade Metropolitana de Transportes .

Assim sendo, resumiu este orador do debate temático sobre transportes promovido pela Assembleia Municipal de Lisboa, a eventual entrega da gestão da Carris e do Metropolitano de Lisboa a esta autarquia poderá até ocorrer, mas apenas como uma medida transitória, possível por alguns anos, mas não de forma definitiva .

Germano Martins disse ainda, quando questionado por um deputado municipal do PS sobre como encarava essa hipótese, que a entendia como muito mais apropriado que a escolha que agora está em causa, entre a Câmara de Lisboa ou um privado, fosse feita na sequência de um procedimento concursal , a quem tenha demonstrado ter melhores condições para exercer a gestão das empresas.

O presidente do conselho executivo da AMTL aproveitou ainda para lembrar o caso dos Transportes Colectivos do Barreiro, o único serviço público de transportes da Área Metropolitana de Lisboa que é gerido por um município. Segundo este responsável, fazendo uma comparação entre os indicadores de performance desse operador e da Carris, o primeiro sai a perder.

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes considerou, depois de acusar o Governo de não saber que modelo de concessão da Carris e do Metropolitano de Lisboa quer concretizar, que poderá haver vantagens em atribuir essa concessão à autarquia presidida por António Costa. Não só, defendeu Sérgio Monte, para os trabalhadores , pela manutenção do emprego , mas também para os utentes .

O dirigente sindical defendeu que os utilizadores dos transportes sairão, de caras , a ganhar caso essa possibilidade se concretize, já que a Câmara de Lisboa está perto deles como nenhum privado alguma vez estará. Os transportes públicos são, resumiu Sérgio Monte, uma área em que a decisão deve ser tomada por quem estiver mais próximo do destinatário .

Já o presidente da Associação de Defesa do Consumidor (DECO) recusou-se a tomar partido pela Câmara de Lisboa ou pelos privados, afirmando que aquilo que interessa a este associação é que seja garantido o serviço público de transportes. Os argumentos até agora apresentados pelo Governo para a entrega a privados não nos convencem , admitiu ainda assim Vasco Colaço.

Nesta que foi a primeira de quatro sessões do debate temático sobre transportes, houve algo que foi praticamente consensual entre os oradores convidados e as pessoas que se inscreveram para intervir: uma avaliação negativa do serviço hoje prestado pelos operadores de transportes que servem a Área Metropolitana de Lisboa. A Carris e o metro foram os principais visados, mas a CP e a Transtejo/Soflusa também não foram esquecidos.

O presidente da DECO lembrou que nos últimos dois anos a Carris e o metro perderam pelo menos 60 milhões de passageiros e reduziram a sua oferta entre 15 a 20% . Enquanto isso, as tarifas aumentaram e o grau de cobertura dos custos operacionais pelas receitas de tarifário também. São números que falam por si , resumiu Vasco Colaço, salientando que a mobilidade é um direito fundamental, tão importante como a educação ou a saúde .

De acordo com o presidente da AMTL, a esta entidade chegam anualmente cerca de nove mil reclamações. A escassez de carreiras à noite e aos fins-de-semana e a falta de regularidade dos autocarros são, adiantou, algumas das principais queixas relativamente à Carris. Quanto ao metro, os utilizadores criticam aspectos como a falta de pessoal de apoio nas estações, o reduzido número de carruagens na Linha Verde, o mau funcionamento das escadas rolantes, a ausência de um passe próprio e as muitas greves.

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