Debater Lisboa
59ª reunião AML - 10 de Março
Deitar abaixo a expressão "entre marido e mulher não metas a colher"
Debater Lisboa - Casa da Cidadania
11-03-2015 AML com Público e Observador


Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, abriu a nossa 2ª sessão do Debate Temático - Erradicação da Violência Contra as Mulheres, apelando ao que a actriz Mariana Monteiro, que interveio de seguida, apelidou de "deitar abaixo a expressão entre marido e mulher não metas a colher". Aurora Dantier, sub-comissária da PSP, outra das oradoras convidadas, reforçou: "É exactamente o contrário. Podemos e devemos meter a colher".

Mariana Monteiro discursa no palco. Coloca convicção na voz e fita o público enquanto vai espreitando os apontamentos que tem à sua frente. Não são os textos de uma nova novela. São frases do depoimento que preparou para que, ao chegar este dia, conseguisse passar a mensagem sem hesitações.

O depoimento inicial do debate “A Violência contra as Mulheres – Prevenção e Protecção” pertenceu à actriz que foi nomeada Champion da Igualdade de Género pela UN Women, no âmbito do projecto Beijing+20 — um projecto que assinala 20 anos da Plataforma de Pequim para a Acção, criada durante a Conferência das Nações Unidas sobre a Igualdade de Géneros.

Este é o segundo de quatro debates que a Assembleia Municipal de Lisboa está a organizar em todas as terças-feiras de Março. O tema é a Erradicação da Violência Contra as Mulheres. Em cada semana, há um novo tópico para discutir. A iniciativa é uma proposta do PAN, Pessoas - Animais - Natureza, aprovada pela Assembleia Municipal de Lisboa. São convidadas para debater e apresentar dados concretos, associações, personalidades do meio académico e outras ligadas à causa em debate.

Qual o balanço da sessão desta terça-feira? “Percebe-se que há uma necessidade de aprofundar a ligação deste tema com as escolas e promover uma sensibilização maior”, refere Helena Roseta, presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, que considera que esta “é uma matéria prioritária e a Assembleia Municipal terá de se posicionar”. No final das quatro sessões haverá um relatório e “uma proposta política que depois é sujeita à aprovação dos deputados municipais”, adianta Helena Roseta.

Nesta sessão, os 26 anos de Mariana Monteiro fizeram dela a personalidade mais nova a discursar. Mas a actriz já tem alguns carimbos no currículo da defesa da igualdade de género. Em 2009, participou numa campanha da CIG (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género). O slogan: “De todos os homens que fazem parte da minha vida, nenhum será mais do que eu”.

Deu a voz a uma campanha contra o tráfico humano e participou na Girl Summit , uma iniciativa do governo britânico para acabar com a mutilação genital feminina e com os casamentos forçados. Para ser nomeada uma das Champions, também contou a participação da actriz na série “Mulheres de Abril”, transmitida na RTP. “Os representantes das Nações Unidas classificaram a série de feminista”, conta. E porquê? “Porque foi a primeira vez que se falou do 25 de abril sob um prisma feminino. A minha personagem diz à mãe: ‘vai ser bom, mãe. Nós vamos ter direitos, mãe. Nós vamos poder falar.''”

As Nações Unidas analisam atentamente o percurso das figuras que tencionam convidar para embaixadores, representantes ou outras distinções. Só depois chega o convite. Com Mariana não foi diferente, mas os desafios começam agora. A partir de agora há obrigações a cumprir. “Todos os meses tenho de fazer alguma coisa: pode ser um post nas redes sociais, uma entrevista, um vídeo, um debate, posso ir a uma escola. Posso fazer qualquer coisa, desde que promova este tema: a igualdade de géneros”. Mariana já tem coisas programadas para os próximos meses seguintes, mas “as ideias vão surgindo”

Dias antes da participação no debate promovido pela AML, a actriz fez uma espécie de teste para perceber a quantas pessoas este tema chegaria. Partilhou com os fãs nas redes sociais que iria discursar sobre a violência contra as mulheres num debate. Depois, perguntou no Instagram: “Como encaram este problema? Quais consideram ser as melhores formas de prevenção?” No Facebook escreveu: “Acham o tema da violência contra as mulheres actual e socialmente preocupante? Que medidas devem ser implementadas para a prevenção do problema?” No Instagram, teve mais de 3,000 likes nesse post. No Facebook, teve mais de 6,800. No total teve mais de 200 comentários àquele assunto. “Se virmos, atingimos quase 10 mil pessoas sobre esta temática”, diz Mariana Monteiro.

Ainda assim, Mariana fez as contas quanto à proporção: 74% das pessoas que comentaram eram mulheres e 26% eram homens. “Gostava que os homens percebessem que eles são tão importantes nesta temática quanto as mulheres. Isso é que faz a igualdade”, considera a actriz.

E debater, conversar, fazer campanhas. “Por exemplo, no outro dia vi uma imagem que dizia ‘não diga à sua filha para não sair de casa, diga ao seu filho para ele se saber comportar''”, conta a Champion da Igualdade de Género pela UN Women.

A violência contra as mulheres volta à discussão na próxima semana, em que o tópico se centrará nos processos judiciais. Na última semana, é a vez de pensar a monitorização e as conclusões na assembleia municipal da capital.

Veja AQUI o segundo vídeo exibido nesta mesma sessão com o lema Prevenção e Protecção do Debate Temático - Erradicação da Violência Contra as Mulheres.

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