Debater Lisboa
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Debate público - 26 de Outubro 2015
Câmara de Lisboa garante impacto reduzido de obras no eixo central
26-10-2015 AYMN // ARA, LUSA

A Câmara de Lisboa assegurou hoje que as obras de requalificação do eixo Picoas/Saldanha, que devem arrancar no início de 2016 e durar um ano, terão um impacto reduzido para comerciantes e moradores.

“O prazo que está previsto para a obra é de um ano, com três frentes diferentes, sendo que as pavimentações são nocturnas para reduzir o incómodo para os comerciantes, para as pessoas que vivem e trabalham neste eixo” e para que as faixas de rodagem possam ser utilizadas, afirmou o vereador do Urbanismo do município lisboeta, Manuel Salgado, que falava aos jornalistas no final do debate público sobre o eixo central da cidade, que decorreu no Fórum Lisboa.

No início de Setembro passado, a Câmara de Lisboa, de maioria PS, aprovou a contratação de uma empreitada por 9,4 milhões de euros (11,5 milhões incluindo o Imposto sobre o Valor Acrescentando – IVA) para iniciar a reabilitação das avenidas da República e Fontes Pereira de Melo, que assenta em mais espaços verdes, ciclovias e passeios mais largos.

A empreitada está em concurso até 18 de Novembro e a Câmara espera adjudicá-la no início de 2016.
Ainda assim, Salgado admitiu alterações: “Podemos adaptar o projecto porque não mexe com os custos”.

Num debate muito participado – com cerca de 250 pessoas a assistir e perto de 20 intervenientes – e que durou quase três horas, algumas das sugestões feitas centraram-se em alternativas para a perda de estacionamento, principal preocupação dos moradores.

Manuel Salgado apontou que actualmente existem 353 lugares à superfície e que passarão a existir 272, redução que será compensada com lugares em parques privados – ao todo, existem 6.900 lugares destes no eixo –, pelo que a Câmara está em conversação com as empresas que os gerem para “chegar a um preço que seja razoável”.

Questionado pelos jornalistas sobre valores, o responsável garantiu que “não é certamente os 70 euros que se praticam, nalguns casos até são 120”.

Na sessão, o vereador centrista, João Gonçalves Pereira, apresentou um projecto alternativo, com passeios mais reduzidos do que a câmara quer, lugares de estacionamento em espinha, criação de apenas uma ciclovia bidireccional (em vez de duas) e a construção de um desnivelamento entre Picoas e a Avenida da República.

Em declarações à Lusa, no final do encontro, o autarca adiantou que vai pedir o agendamento desta proposta para a reunião pública de quarta-feira.

Ainda assim, João Gonçalves Pereira disse estar “disponível para retirar proposta da votação” caso o processo seja suspenso, “para que se possa encontrar modelo de convergência” com todas as forças políticas.

Também presentes no encontro, os presidentes da Associação de Moradores das Avenidas Novas, José Soares, e Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), José Manuel Esteves, reconheceram ser “inegável que a requalificação tenha de avançar”, solicitando, contudo, o acompanhamento das obras.

Filipe Beja, da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), considerou ser necessário “inverter o paradigma” de aposta no transporte individual e, antes, dar preferência a uma “mobilidade suave e ciclável”.

Já o presidente da Câmara, Fernando Medina, vincou que este projecto “nasce com o inconformismo com a situação actual” deste eixo.

Assista AQUI à gravação integral da sessão

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