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2ª Circular só muda com obras em Entrecampos e Praça de Espanha
29-01-2016 Inês Banha, DN

Automóvel Clube de Portugal é bastante crítico do projecto no parecer entregue no âmbito da consulta pública, que hoje termina. Lancil de 30 centímetros é um dos aspectos negativos

É quase uma contraproposta: em resposta à intenção da Câmara Municipal de Lisboa de remodelar a 2.ª Circular, o Automóvel Club de Portugal (ACP) sugere, no parecer que entregou no âmbito da consulta pública que hoje termina, obras em Entrecampos, na Praça de Espanha e perto do El Corte Inglés, na Avenida António Augusto Aguiar.

Só assim, defende, se pode reduzir em 20% o tráfego que circula na via rápida que atravessa a capital de nascente a poente. A autarquia já admitiu que, ao contrário do que consta do estudo de tráfego disponibilizado, o projecto, que visa melhorar a segurança, fluidez e sustentabilidade ambiental do eixo, só deverá implicar a diminuição de 10% no número de veículo que ali transitam por dia. Em causa, está o facto de os cálculos terem sido feitos atendendo a uma redução da velocidade máxima permitida de 80 km/h para 50 km/h e não 60 km/h.

"Do nosso ponto de vista, este projecto carece de vários pressupostos para que possa ser realizado sem prejudicar severamente a mobilidade e a segurança das pessoas", considera o ACR sublinhando que "a distribuição de tráfego para dentro de Lisboa só poderá ser feita correctamente se forem concluídas" cerca de uma dezena de obras. De acordo com a autarquia, 52% do tráfego da 2.ª Circular será desviado para a CRIL e para o Eixo Norte-Sul e 48% para o interior da cidade.

Entre as medidas propostas estão, no eixo Sete Rios-Avenida das Forças Armadas-Avenida Estados Unidos da América-Avenida Marechal Spínola, a melhoria da ligação da Radial de Benfica ao Eixo Norte-Sul, "para se poder sair para a Av. das Forças Armadas, o alargamento da ligação a Sete Rios da mesma radial, o desnivelamento do cruzamento nas avenidas das Forças Armadas e Álvaro Pais e a reformulação do nó de Entrecampos, com a deslocação do parque de estacionamento existente junto ao túnel, de modo "a criar uma faixa de circulação de acesso à rotunda".

Já para a Praça de Espanha é sugerido que se possa circular em frente, sem necessidade de contornar a placa central, no sentido Campo Pequeno-Ponte 25 de Abril e que seja concretizado o desnivelamento da ligação da Avenida dos Combatentes sob o prolongamento da Avenida de Berna, "de modo a facilitar a ligação desta à Av. Gulbenkian e a ligação da Av. dos Combatentes à Av. António Augusto Aguiar". Igualmente recomendado é, no eixo Rua Marquês da Fronteira-Avenida Duque d'Ávila-Av. Miguel Bombarda, o fim do estrangulamento que hoje existe em frente ao centro comercial El Corte Inglés e o reperfilamento da Miguel Bombarda, "de modo a assegurar duas vias de tráfego e adequado controlo do estacionamento em segunda e terceira fila que actualmente aí se verifica". É ainda importante intervir nas imediações da 2.ª Circular, nomeadamente no nó do Campo Grande, que consta já do projecto apresentado pela autarquia.

A opção por um lancil de 30 centímetros no separador central arborizado de 3,5 metros de largura que deverá ser instalado, incapaz de parar qualquer viatura e a não consideração do crescimento de tráfego associado ao aumento do número de passageiros e de trabalhadores no aeroporto da Portela são outros dos aspectos criticados pelo ACP, que considera ainda que a redução da velocidade máxima para 60 km/h não vai ter qualquer impacte na segurança rodoviária.

Orçado em 12 milhões de euros (com IVA), o projecto deverá começar a sair do papel em Junho. A previsão é de que as obras, que se vão realizar durante a noite, estejam concluídas 11 meses depois. A consulta pública do projecto termina hoje, ainda que, segunda-feira, qualquer pessoa possa participar no debate organizado pela Assembleia Municipal de Lisboa no Hotel Roma. O início está agendado para as 18.00.

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